Congresso das Novas Comunidades 

O Congresso das Novas Comunidades da Arquidiocese do Rio de Janeiro, com o tema: “Vossos anciãos terão sonhos, vossos jovens terão visões” (Joel 3, 1), foi realizado na Casa de Retiro São Francisco Sales, da Comunidade Sementes do Verbo, no Riachuelo, nos dias 15 e 16 de outubro. 

O encontro não foi apenas para fazer um diagnóstico dos males e problemas que nos cercam, frente à mudança de cultura, de mentalidade, de afetividade e praticidade, mas também um despertamento para que as Novas Comunidades tenham disponibilidade e docilidade para o cuidado mútuo, sendo um núcleo sólido de convivência e práxis que possa combater a ótica do mundo e possibilitar uma transformação com a prática e anúncio do Santo Evangelho. 

A abertura do encontro, no dia 15 de outubro, foi com a Santa Missa presidida pelo vigário episcopal para a Vida Consagrada e Novas Comunidades, Dom Roberto Lopes, OSB, que falou em sua homilia da importância da formação para os membros das Novas Comunidades, por meio da oração, silêncio, vigilância constante e a colaboração dos carismas na missão. 

Ele chamou atenção sobre o compromisso que os responsáveis das comunidades precisam ter para colocarem a casa em ordem, combatendo os vícios por meio das virtudes, pensamentos santos e serviço constante. 

A primeira conferência, feita por Ronaldo José, da Comunidade Remidos no Senhor, da Paraíba, foi com base na passagem de 1 Cor 9, 19-23, e ele falou sobre uma nova cultura, uma nova mentalidade, uma nova afetividade e uma nova práxis que pode levar os membros das Novas Comunidades a terem dois comportamentos, a saber: serem vítimas da história ou serem agentes de transformação dela. 

Ele concluiu o ensino nos alertando que não podemos ficar no saudosismo, mas que precisamos ter novos procedimentos, nova abordagem para evangelizar o homem de hoje, obtendo uma mentalidade ampla, uma afetividade capaz de compadecer das pessoas e uma cultura do encontro. 

Na segunda conferência com base em Ap 2, 1-7,  Ronaldo José refletiu sobre o arrefecimento do primeiro amor, no qual inúmeras pessoas continuam fazendo o seu trabalho, suas atividades, correspondem as obrigações comunitárias, regra de vida, missão, mas faltam-lhes a caridade, a qualidade e a primazia de Deus, que garantiam a capacidade de fazer as coisas como eram feitas no passado, no início da caminhada.  

Nesse momento, ele refletiu sobre as três fases das Novas Comunidades: 1 – Início (núcleo fundante), que é movido pelo entusiasmo, que pode levar a absolutização do carisma, ao ponto dos membros acharem que o carisma da comunidade tem muito mais a contribuir com a Igreja, do que Igreja com o carisma. 

2 – Institucionalização, que é o período do amadurecimento da vivência e entendimento do carisma, espiritualidade, missão, estrutura de governo, caminho formativo e exercício do apostolado, que poderá exigir o cuidado com as divisões e administração dos interesses pessoais, para não dificultar esse processo. 

3 – Permanência no chamado, fazendo memória da importância da primazia de Deus, para entender que não é necessário algo novo, de fora para dentro, mas sim em fazer o que já tem como prática, sem deixar de amar a Deus sobre todas a coisas.

No domingo, dia 16 de outubro, tivemos a presença do nosso arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta, que presidiu a Santa Missa e nos falou da importância da primazia da oração, da Liturgia das Horas, da Lectio Divina e quanto ao contínuo exercício de disponibilidade para a missão, sendo sal, luz e fermento na massa. 

Ele acolheu as novas comunidades, falando da importância de todos na contribuição com a missão na Igreja Particular do Rio de Janeiro. 

No final, Dom Orani nos motivou na realização da missão nos cemitérios, no dia 2 de novembro, a fim de sermos uma presença acolhedora aos irmãos enlutados, tristes e com saudades dos seus entes queridos, dando-lhes uma palavra de fé e esperança. 

O encontro terminou com a terceira conferência do Ronaldo José, que teve como base a passagem de Lc 16, 1-8, que nos falou sobre o dom de ser comunidade, da partilha mútua, da construção de comunidades fortes, para sermos um contraponto de uma sociedade contrária aos valores do Reino e dispostas ao acolhimento das pessoas desfiguradas pelo pecado, ignorância e fragilizadas pela depressão, ansiedade, medos, diante de uma pandemia de loucura no mundo. 

Concluiu a formação, falando sobre o tema do encontro: “Vossos anciãos terão sonhos, vossos jovens terão visões” (Joel 3,1), dizendo que o encontro das gerações, a exemplo da Virgem Maria e Isabel, é bastante salutar, onde os jovens precisarão do testemunho de fidelidade dos primeiros membros, e os anciãos precisarão do entusiasmo e da visão dos jovens, para voltarem a sonhar e se manterem firmes na construção de comunidades fortes, onde os membros não tenham medo do dom da partilha e de gastarem a vida em favor do Reino de Deus.

 

Eduardo Badu 

Fundador da Comunidade Maria Serva da Trindade e coordenador da Comissão para as Novas Comunidades da ArqRio

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