A Paróquia Santa Rita de Cássia, em Turiaçu, deu início, no dia 16 de maio, à novena em honra à sua padroeira com a celebração da Santa Missa presidida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta. A celebração reuniu fiéis da comunidade, acolhidos pelo pároco, padre Ivanelito Pereira da Silva, pelo vigário paroquial, padre José Carlos dos Passos, e pelo diácono Valdinei Geraldo Martins, e contou com a presença do vigário episcopal do Vicariato Anchieta, padre Allexsandro Martins Valente.
No início da celebração, padre Ivanelito dirigiu uma calorosa saudação a Dom Orani e destacou o gesto de proximidade e cuidado do pastor com a comunidade paroquial. “Saúdo e agradeço a presença do nosso arcebispo, cheio de compromisso, mas que reservou um horário para aqui estar em nossa comunidade. Seja muito bem-vindo”, disse, agradecendo também à equipe de apoio e aos fiéis presentes.
Em seguida, Dom Orani dirigiu sua saudação ao clero e aos fiéis, destacando a importância da novena como caminho de preparação para a festa da padroeira, no dia 22 de maio: “Vivamos intensamente esse tempo de graça”, disse. Ao recordar a presença significativa da devoção a Santa Rita de Cássia na arquidiocese, observou ainda que a paróquia de Turiaçu se insere nesse amplo testemunho de fé do povo de Deus, sendo uma das muitas expressões da devoção à santa das causas impossíveis na cidade do Rio de Janeiro.
Na homilia, Dom Orani aprofundou o sentido da liturgia e ressaltou que o Espírito Santo sustenta a missão da Igreja ao longo da história. Segundo ele, é o próprio Deus que conduz o povo fiel, fortalecendo-o para testemunhar o Evangelho no mundo. Nessa perspectiva, destacou que os cristãos são chamados a reconhecer a presença de Cristo em todas as dimensões da vida, permitindo que essa experiência transforme os corações e as relações humanas.
O arcebispo enfatizou ainda que a vivência litúrgica não se encerra em si mesma, mas conduz à missão. Ele recordou que, ao final do Tempo Pascal, os fiéis não “encerram” a Páscoa, mas recebem um envio. “Não é que nós terminamos o tempo da Páscoa, pelo contrário, nos é entregue a grande missão de sermos testemunhas pascais do Senhor”, disse, ao reforçar que a fé no Ressuscitado deve se traduzir em anúncio e testemunho, especialmente em meio às dificuldades e desafios da sociedade contemporânea.
Ao refletir sobre o exemplo de Santa Rita de Cássia, o arcebispo destacou a força do testemunho cristão vivido nas diversas circunstâncias da vida. Ele recordou que a santa, desde jovem, desejava a vida consagrada, mas enfrentou caminhos diferentes, passando pela experiência do matrimônio, da maternidade, da viuvez e, posteriormente, da vida religiosa. “Santa Rita foi alguém que encontrou Jesus Cristo desde a mais tenra idade”, afirmou, sublinhando que, mesmo em meio às dificuldades, ela permaneceu fiel.
Dom Orani ressaltou que a vida da padroeira é um testemunho concreto de que a santidade é possível em qualquer estado de vida. “Mostrando que, em qualquer estado de vida, quando nós temos Jesus Cristo como centro da nossa vida, vemos que ela tem sentido”, disse. Ele também recordou os sofrimentos enfrentados por Santa Rita, inclusive as dificuldades no casamento e a experiência do estigma, destacando que, mesmo diante da dor, ela permaneceu firme na fé.
O arcebispo indicou que o exemplo de Santa Rita continua atual e inspirador para os cristãos de hoje, especialmente em um mundo marcado por desafios familiares, sociais e espirituais. Segundo ele, quando Cristo ocupa o centro da existência, é possível encontrar sentido mesmo nas situações mais difíceis, transformando a dor em caminho de testemunho e esperança. “Que Santa Rita nos inspire, nos mostre os caminhos e nos impulsione também com seu exemplo a sermos cada vez mais missionários”, exortou.
No final da Santa Missa, o vigário episcopal do Vicariato Anchieta, padre Allexsandro Martins Valente, manifestou reconhecimento pela presença de Dom Orani, destacando também o trabalho pastoral realizado pelos sacerdotes da paróquia, evidenciando o espírito de comunhão e unidade eclesial.
Ele propôs uma reflexão inspirada na própria padroeira, recordando uma frase que, segundo ele, marcou profundamente sua formação. “Quando tudo parecer muito difícil, confia e reza. Deus age sempre no silêncio”, disse, ao citar Santa Rita de Cássia e convidar os fiéis a cultivarem a confiança em Deus mesmo nas situações mais desafiadoras.
A partir dessa inspiração, o vigário episcopal incentivou a comunidade a não temer os recomeços, destacando que a vida cristã é marcada por constantes retornos ao Senhor. “Não tenhamos medo de, como Santa Rita, recomeçar muitas vezes diante do Senhor”, exortou, sublinhando que a certeza da presença de Deus sustenta o caminhar do povo fiel: “Ele é por nós, Ele caminha no meio de nós”.
Ao se dirigir ao arcebispo, padre Allexsandro ressaltou o valor simbólico de sua presença na comunidade, interpretando-a como sinal concreto da proximidade de Deus com o seu povo. “Hoje, Dom Orani, a tua presença aqui em nosso meio simboliza isso: a presença de um Deus amoroso que acolhe através do nosso bom pastor”, afirmou, destacando a dimensão pastoral e missionária do ministério episcopal.
O sacerdote também fez referência à realidade do Vicariato Anchieta, caracterizando-o como uma região jovem e marcada por desafios, mas rica em fé e desejo de Deus. Ele ressaltou que se trata de um vicariato sustentado pela esperança e pela disposição de seus fiéis em recomeçar continuamente na vida cristã, buscando conhecer e amar mais profundamente o Senhor.
Na conclusão, antes da bênção, Dom Orani agradeceu a presença e o trabalho pastoral na região e ressaltou que a vida cristã está intrinsicamente ligada à missão, recordando que todos os fiéis são chamados a evangelizar no cotidiano. “Nós somos permanentemente missionários na família, em casa, na vizinhança, por onde passarmos”, afirmou, sublinhando que a vivência da fé deve ultrapassar os limites do espaço litúrgico e alcançar toda a sociedade.
O arcebispo convidou os fiéis a contemplar o exemplo de Santa Rita de Cássia, cuja vida permanece como referência de fidelidade e esperança. “Possamos olhar para a figura dessa mulher e perceber como, nas várias situações de vida, ela testemunhou que o centro da sua existência era Jesus Cristo”, disse. Ele destacou ainda o simbolismo da rosa associada à santa, apontando para a capacidade de florescer mesmo em situações adversas: “Onde aparentemente não há possibilidade de perfume, possamos ser testemunhas do bom odor de Cristo”.
O arcebispo indicou que o testemunho de Santa Rita se torna ainda mais necessário em uma realidade marcada por violência, insegurança e crises de sentido. Segundo ele, é justamente nesses contextos que os cristãos são chamados a manifestar a presença de Cristo por meio da vida e do testemunho, tornando-se sinais concretos de esperança e salvação na cidade. “Vivamos a liturgia como impulso missionário, tendo em Santa Rita de Cássia um exemplo concreto de fé perseverante e testemunho do Cristo ressuscitado no mundo”, concluiu.
Carlos Moioli