A luta contra o feminicídio reuniu diferentes crenças religiosas no alto do Corcovado. A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, em parceria com o Instituto Religare, promoveu uma vigília inter-religiosa no Santuário Cristo Redentor, na noite do dia 14 de maio.
O encontro foi presidido pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, e reuniu representantes de 16 tradições religiosas em oração pelo fim da violência contra a mulher. Também estiveram presentes os bispos auxiliares da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Roque de Souza e Dom Joselito Ramalho Nogueira, além do reitor do Santuário Cristo Redentor, padre Omar Raposo.
Estavam no evento representantes das religiões: Católica, Catimbó, Espírita, Evangélica, Fé Bahá’í, Hare Krishna, Ifá, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Islamismo (Xiita e Sunita), Judaica, Matrizes Africanas, Muçulmana Ahmadia, Umbanda, Wicca e Xamanismo.
Durante a celebração, Dom Orani destacou o papel das religiões no enfrentamento da cultura da violência e da morte, em compromisso com a defesa da vida.
“Os vários representantes presentes vieram para dar testemunho de que as religiões querem, todas juntas, levar adiante a responsabilidade da defesa da vida humana em todos os aspectos. Neste contexto, da defesa da mulher. Diante de tanto feminicídio que acontece no país, é importante uma educação para o bem, a fraternidade e a paz. O respeito para com as mulheres, e para com todas as pessoas, sem dúvida, deve ser o nosso compromisso, o papel das religiões”, afirmou o arcebispo.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025. O número reforça a urgência de ações de conscientização e mobilização social.
Representantes de diferentes religiões conduziram orações conforme suas tradições, em defesa da dignidade feminina e pelo fim da violência. Para a jornalista e presidente do Instituto Religare, Luzia Lacerda, o diálogo inter-religioso é fundamental no enfrentamento do problema.
“Acreditamos que o diálogo desconstrói qualquer tipo de preconceito ou racismo. Existem situações em que é importante se manifestar, como é o caso do feminicídio, que aumentou tanto que não podemos ficar quietos. A essência do religioso é orar. Viemos aqui, com representantes de várias religiões, para orar, pedir a Deus pela vida das mulheres e para que os homens entendam que foram gerados por uma mulher. Quando um casal não combina mais, por favor, separe-se, afaste-se, mas não mate. O homem que faz isso acaba com a sua vida, com a vida da mulher, dos seus filhos e de suas famílias”, declarou Luzia.
A cerimônia também contou com a presença da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e a apresentação do coral da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Ao fim da vigília, o Cristo Redentor foi iluminado na cor lilás, símbolo da luta das mulheres por respeito, proteção e garantia de direitos.
Ana Carla Machado