O olhar ao mistério de Nazaré traz ao seio da Igreja o mais simples coração

Falar de Charles de Foucauld é falar do encontro daquele que o aguardava no seu mais íntimo para que as suas maravilhas não somente tivessem frutos pessoais quanto frutos além da Trapa, isto é, o Beato Charles que será proclamado santo no dia 15 de maio, traz consigo não somente uma vida de investigador, mas uma vida daquele que percorreu um caminho em busca de respostas sobre a fé e ao fazer o encontro com o Cristo. Com base na sua historiografia ou sua história hagiográfica, o santo que fora educado em escola militar com o apoio do avô materno vai parar na África, na Argélia, para servir o seu país e poder explorar mais o país para revelar mais sobre o local, dando a ele notoriedade.

Com as honras e méritos, ainda na África, tem uma experiência única e pessoal na qual as suas indagações existenciais o levou para uma conversão ao cristianismo, uma vez que para permanecer no continente africano ele se passou por um judeu, mas de fato fez a experiência mística em uma peregrinação na Terra Santa, assim como tantos outros homens e mulheres que na vida mística encontraram o verdadeiro sentido da vida e no seu processo espiritual, reside com os trapistas que mais tarde saindo do Ordem, retoma para a Argélia, e inspirado pelo amor a missão e a Deus, funda uma Fraternidade, que será consumada de fato após a sua morte.

O ímpeto do desejo de servir a Deus e fazer a sua vontade não na comunidade dos monges trapistas, mas o coração desejava ir para mais longe da França e de forma mais autônoma do que experimentou, buscava na sua nova missão não pregar com sermões, e, sim, a vida e com os exemplos ao modo de Jesus o imitando em tudo. No seu processo de conversão e admissão a vida mais contemplativa, ele faz a experiência nazarena, tendo sido ordenado aos 43 anos de vida, embora a sua conversão se deu aos 30 anos, onde ele viu que: “não podia fazer outra coisa senão viver para Deus”, a quem quis consagrar toda a sua vida e, assim, “exaltar-se em pura perda de si mesmo diante de Deus”.

E no desejo de doar-se totalmente a missão e a Cristo, padre Charles de Foucauld quis para ser para os outros um irmão universal para cada pessoa, assim disse padre Bernard Ardura, postulador da causa da canonização. E ao mesmo tempo, com o seu exemplo e a sua bravura diante das pressões do local e o embate contra o regime da exploração escrava dos argelinos, a sua missão foi defender o povo e trazer o exemplo do Cristo Bom Pastor diante do povo sofrido até ser morto e sofrer o martírio, como os primeiros cristãos. E de fato, ele viveu ao modelo cristão de imitar o seu único amor, a Cristo, o Nosso Senhor e do seu exemplo e espiritualidade, nascem várias fraternidades que bebem da sua mística e espiritualidade para ajudar outras ovelhas que estão sem pastores.

Nesse sentido, temos a Fraternidade dos Pequenos Irmãos de Jesus, congregação religiosa que se inspirou nos escritos do Beato Foucauld, entre membros notórios da sociedade teve o filósofo Jacques Maritain que ingressou na fraternidade, ele que era amigo do Papa Paulo VI, entre outros modos de expressão como institutos, congregações e fraternidades como a União Sodalitè (União de oração e ação na Comunhão dos Santos), as Irmãzinhas do Sagrado Coração com inspiração do santo: “Nazaré pode ser vivida em qualquer lugar”, entre outras temos a Fraternidade Sacerdotal, fraternidade esta de padres seculares que vivem na espiritualidade do santo.

Todas estas fraternidades que beberam da fonte do irmão universal dos pobres, assim ele era conhecido, para o total despojamento e isolamento espiritual para vivenciar a aventura humana de amar a todos, ao Evangelho e a si mesmo, e como diz irmã Dione Afonso, SDN: “O irmão Charles de Foucauld soube traduzir em sua vida a verdadeira essência do Evangelho. Reconheceu que os pobres são os protagonistas desse anúncio e que para eles devemos sempre nos direcionar. Fez daquela oração simples e questionadora o seu ideal de vida”.

Pensar em uma hagiografia para o humilde santo de Deus Charles de Foucauld, há de pensar em um coração apostólico, um coração fraterno, um exemplo a ser seguido neste tempo que nos carece de fontes de inspiração, de exemplos cristãos e de saber humilde que ultrapassa qualquer tipo de pensamento filosófico ou acadêmico. Evangelizar significa aos moldes do santo, não é simplesmente pregar a Palavra, mas é o doar-se a si mesmo em prol ao outro, como ele disse no seu processo de conversão: “Deus existe?”. “Meu Deus, se você existe, deixe-me conhecê-lo”,

 

Fernandes Elias Jr – Seminarista da configuração III

 

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