Clero da Arquidiocese do Rio participa da 31ª Jornada de Oração pela Santificação dos Sacerdotes

Às vésperas da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o clero da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro reuniu-se na manhã do dia 11 de junho para a 31ª Jornada de Oração pela Santificação dos Sacerdotes. O encontro foi realizado no Centro Cultural Social Pastoral (CCSP), em Irajá, e proporcionou momentos de oração, reflexão, reconciliação e fraternidade sacerdotal.

Os participantes foram acolhidos pelo pároco da Paróquia Nossa Senhora da Apresentação, padre Bruno Vianna Citelli, e pelo vigário paroquial, padre Bruno Fernandes Carvalho. A jornada contou com a presença do arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, dos bispos auxiliares e dos sacerdotes que exercem seu ministério na arquidiocese.

A programação teve início com a adoração ao Santíssimo Sacramento, conduzida pelo bispo auxiliar Dom Roque Costa Souza. Durante esse momento de espiritualidade, os sacerdotes tiveram também a oportunidade de receber o Sacramento da Reconciliação por meio das confissões.

Em seguida, o padre André Luiz Rodrigues da Silva conduziu a pregação com o tema “O chamado à santidade”, refletindo sobre a missão sacerdotal e a necessidade constante de conversão e fidelidade ao Evangelho. A meditação reforçou o convite para que os presbíteros renovem diariamente sua configuração a Cristo, Bom Pastor, por meio da oração, da vida sacramental e do serviço ao povo de Deus.

Na Santa Missa, realizada na Igreja Nossa Senhora da Apresentação, o Cardeal Orani João Tempesta destacou a importância da tradição arquidiocesana de reunir os sacerdotes na véspera da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus para rezar pela santificação do clero.

“Amanhã, o povo de Deus vai se reunir para rezar pelos seus sacerdotes. Hoje, porém, é um dia nosso, de nos encontrarmos para rezar, refletir, partilhar, celebrar juntos e ter um momento de confraternização”, disse.

Dom Orani também dirigiu uma oração especial pelos sacerdotes que não puderam participar da jornada, especialmente os enfermos, os idosos e aqueles que se encontram em missão fora da arquidiocese.

“Bendizemos a Deus e pedimos por todos os sacerdotes da nossa Arquidiocese, especialmente aqueles que se encontram impossibilitados de vir, que estão doentes, acamados ou em missão no Brasil e no mundo. Que todos se unam a nós neste momento de oração e de busca pela vontade do Pai no caminho da santidade”, concluiu.

 

Fraternidade sacerdotal e busca da santidade

Na homilia, marcada pela reflexão sobre a busca constante da santidade, a fraternidade presbiteral e o compromisso com a missão evangelizadora, Dom Orani ressaltou a importância do encontro anual do clero arquidiocesano, destacando a responsabilidade compartilhada na condução da missão evangelizadora da Igreja na cidade do Rio de Janeiro. Segundo o arcebispo, o cuidado com os sacerdotes é uma das principais responsabilidades de seu ministério episcopal.

“Somos, de certa forma, responsáveis por cuidar dos cuidadores. É uma grande responsabilidade fazer com que aqueles que servem ao povo de Deus, nas mais diversas regiões e situações da nossa cidade, possam também ser bem cuidados”, afirmou.

O arcebispo destacou ainda a importância dos momentos de convivência e espiritualidade entre os sacerdotes, ressaltando que a jornada oferece uma oportunidade privilegiada para fortalecer a comunhão, renovar o ardor missionário e colocar diante do Senhor as alegrias e os desafios do ministério.

“É um momento importante e primordial para rezarmos juntos, compartilharmos a vida, adorarmos o Senhor, ouvirmos uma reflexão que nos ajude a ter o coração cheio de fervor na busca da santidade e colocarmos tudo isso na mesa do altar do Senhor”, disse.

Ao refletir sobre o tema central da jornada, Dom Orani recordou que a vocação à santidade é um chamado dirigido a todos os cristãos, mas possui um significado especial para aqueles que receberam a missão de conduzir o rebanho de Cristo.

“A busca da santidade é comum a toda a Igreja, mas é ainda mais exigente para nós, que fomos chamados de modo especial para cuidar do rebanho do Senhor”, enfatizou.

O arcebispo também ressaltou a importância da fraternidade sacerdotal como instrumento de fortalecimento espiritual diante dos desafios do tempo presente. Segundo ele, além da responsabilidade dos bispos, cada sacerdote é chamado a rezar pelo irmão de ministério e ajudá-lo em seu caminho de santificação.

“Todos somos chamados a rezar uns pelos outros. Cada sacerdote é chamado a rezar pela santificação do seu irmão, para que aquilo que ele enfrenta em sua vida o conduza cada vez mais à santidade”, afirmou.

Dom Orani reconheceu as dificuldades enfrentadas pelos presbíteros no exercício do ministério, especialmente diante das transformações culturais, sociais e pastorais da atualidade. No entanto, destacou que Deus continua oferecendo sinais concretos de santidade e fidelidade no meio do povo.

“As dificuldades são enormes, sejam humanas, psicológicas, pastorais ou decorrentes das profundas mudanças de época que vivemos. Mas o Senhor continua nos oferecendo muitos sinais bonitos de santidade em pessoas que, mesmo em situações difíceis, perseveram na busca de Deus”, observou.

Inspirando-se na memória litúrgica de São Barnabé, Dom Orani apresentou o apóstolo como modelo de amizade, fraternidade e ardor missionário. Recordou sua atuação nos primeiros tempos da Igreja, especialmente ao lado de São Paulo, e destacou a importância da comunhão para a evangelização.

“Embora tenham passado mais de dois mil anos, continuamos chamados a viver a mesma amizade e fraternidade dos primeiros discípulos, preocupados com a missão evangelizadora e unidos na comunhão com Deus e entre nós”, ressaltou.

Ao refletir sobre o Evangelho (Mt 10,7-13), o arcebispo destacou o envio missionário dos discípulos por Jesus, enfatizando a simplicidade e a confiança na Providência Divina como características fundamentais da evangelização.

“Cristo envia os seus discípulos a anunciar que o Reino dos Céus está próximo. Não com grandes riquezas ou pretensões humanas, mas com simplicidade, confiança e disponibilidade para servir”, afirmou.

O arcebispo convidou os presbíteros a renovarem a gratidão pelo dom da vocação e a retomarem com entusiasmo o caminho da conversão e da santidade. Recordou que o amor manifestado no Sagrado Coração de Jesus deve ser a fonte permanente da vida sacerdotal.

“Peçamos ao Senhor a graça de reavivar em nosso coração o dom recebido no Batismo, fortalecido pelos sacramentos e pela ordenação sacerdotal. Que nunca esqueçamos nossa missão e que o amor manifestado no Sagrado Coração de Jesus nos sustente na caminhada”, disse.

Concluindo sua homilia, Dom Orani exortou os sacerdotes a permanecerem unidos diante dos desafios da missão e a continuarem anunciando Jesus Cristo com renovado ardor missionário.

“Que possamos dar as mãos e nos ajudar mutuamente na busca de cumprir bem a nossa missão, no caminho da santidade, da conversão e do anúncio daquele que é a razão da nossa vida e o centro da nossa história: Jesus Cristo, nosso Senhor”, concluiu.

A programação foi encerrada com um momento de confraternização entre os participantes, fortalecendo os laços de comunhão entre os sacerdotes e renovando o compromisso de cada um com a missão evangelizadora da Igreja.

Carlos Moioli

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